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Originalmente habitado por ameríndios (aproximadamente de 3 a 5 milhões), o território que hoje pertence ao Brasil, além do restante da América do Sul, já estava dividido entre duas potências européias, Portugal e Espanha antes mesmo de seu descobrimento oficial. O Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, foi um importante acordo para a definição da futura fronteira do Brasil, que dividia o continente de norte a sul, desde o atual estado do Pará até a cidade de Laguna (Santa Catarina), sendo muito alterada posteriormente, com a expansão portuguesa para o oeste.
Com o surgimento da Burguesia Mercantil na Europa, inicia-se uma nova era marcada pelas Grandes Navegações financiadas por ela, entre os séculos XV e XVI. Buscando facilidades comerciais com as Índias e a descoberta de novas terras, vários exploradores partem de Portugal pelas águas do Oceano Atlântico, até que, em 1500, a frota comandada por Pedro Álvares Cabral avista uma terra até então desconhecida em 21 de abril e chegado à atual Porto Seguro (BA) em 22 de Abril de 1500.
Essa terra, chamada de Pindorama, era habitada por indígenas que andavam nus e com os corpos pintados e enfeitados com plumas, sisal, pedras e sementes. Habitavam em casas de madeira, palha e fibras vegetais e desconheciam os metais, usando utensílios de pedra, madeira ou cerâmica. Viviam em sociedades matriarcais e não praticavam a agricultura, pois viviam da caça, da pesca e das frutas oferecidas pela floresta nativa. Eram pacíficos e muito alegres demonstrando essa alegria com festas onde dançavam e cantavam. Eram comandados espiritualmente pelo Pajé, que era o curandeiro da tribo e adoravam divindades representadas pelo Sol, pela Lua e pelos Rios. Hoje no Brasil vivem 270 grupos indígenas em reservas protegidas por lei, sendo a do Parque Nacional do Xingú a maior delas.
A colonização não esteve jamais nos propósitos da empresa mercantil que impulsionou as navegações, montada especificamente para a troca, ela operava sempre na pressuposição da existência de produção local, nas áreas com que mantinha a troca.
O problema da colonização apresenta, assim, grandes dificuldades, uma vez que a estrutura econômica portuguesa não estava preparada para enfrentá-lo. A exploração da América devia aparecer, no quadro do tempo, como uma empresa extraordinariamente difícil, em primeiro lugar tinha que atrair pessoas para povoar o continente americano. Os obstáculos, nesse sentido, foram tão importantes, que no século XVI, que parece ter-se refletido no controvertido problema dos degredados: tornar o Brasil destino destes parece ter sido uma das formas de vencer as naturais resistências à transplantação para uma terra que não oferecia tão poucas perspectivas. Também havia como obstáculo, penosas condições de trabalho na colônia ao lado das fraquíssimas possibilidades de enriquecimento, mas poderia ser vencido por uma retribuição alta do trabalho, no caso de se deslocarem trabalhadores assalariados.
A chegada dos portugueses inicia a história de um País primeiramente chamado Terra de Santa Cruz, depois Ilha de Vera Cruz até o nome atual, Brasil, originado da árvore nativa pau-brasil. Nasceu na Bahia, em Porto Seguro.
No início, um pouco abandonado pelos portugueses, foi motivo de tentativas de invasão por outros povos, principalmente franceses, holandeses e espanhóis, o que motivou a colonização portuguesa em vários pontos do litoral, através do sistema de Capitanias Hereditárias, iniciado em 1530, quando o território foi dividido em 15 partes e doado para pessoas importantes da Corte. Dá-se início, então, a plantação de cana-de-açúcar e a criação de gado, com utilização de mão-de-obra escrava.
A ocupação efetiva se deu a partir de 1532, com a fundação de vila de São Vicente, por Martim Afonso de Sousa, donatário de duas capitanias, mas apenas a de São Vicente prosperara, e mesmo assim, menos que a capitania da Nova Lusitânia (Pernambuco). Todas as demais capitanias não prosperaram. Insatisfeito, Dom João III decide criar um governo centralizado para corrigir os problemas sem abolir as capitanias. É então enviado Tomé de Sousa, como primeiro governador-geral, que em 29 de março de 1549 funda a cidade de Salvador como capital de todo o Brasil colonial. Ao longo do século XVI, foi-se ensaiando a escravidão, inicialmente a dos indígenas, e só a partir das últimas décadas a do africano. Ainda nesse século deve-se ressaltar as primeiras tentativas de exploração do interior, bem como as disputas com os franceses, que procuravam aumentar sua influência na América, através da pirataria e do comércio do Pau-Brasil, gerando uma guerra luso-francesa na recente colônia, culminando com a expulsão dos franceses do forte de Coligny e o estabelecimento definitivo da hegemonia da coroa portuguesa.
O século XVII vê um grande desenvolvimento da agricultura, que usa a mão-de-obra escrava de Negros africanos, com culturas de tabaco e especialmente da cana-de-açúcar na Bahia, Pernambuco, e mais tardiamente no Rio de Janeiro. As expedições chamadas de Entradas e Bandeiras dos paulistas descobriram o ouro, pedras preciosas em Minas Gerais e ervas no sertão. As colônias nordestinas foram ocupadas pelos neerlandeses/holandeses em 1624, e entre 1630 e 1654, principalmente sob o comando de Maurício de Nassau, sendo ao final expulsos na batalha de Guararapes.
Nessa época foi fundado o Quilombo dos Palmares, por Zumbi, líder guerreiro, e que congregava milhares de negros fugidos dos engenhos de cana do nordeste brasileiro e alguns índios e brancos pobres ou indesejáveis. Este sub-mundo foi finalmente destruído, não sem uma resistência heróica e violenta, pelos bandeirantes portugueses comandados por Domingos Jorge Velho, tendo seu líder sido morto e decapitado (segundo a tradição não-oficial, Zumbi teria conseguido fugir).
No século XVIII, ainda que a produção do açúcar não tenha perdido sua importância, as atenções da Coroa se concentravam na região das Minas Gerais onde se tinha descoberto ouro. Este, entretanto, esgota-se antes do final do século.
Com o fracasso das Capitanias, institui-se o Governo-Geral com Capital em Salvador. Novas invasões acontecem e ocorrem grandes batalhas pela posse de terra, gerando o abandono de vários engenhos. O período no qual Portugal foi anexado ao Reino da Espanha marcou o Brasil pelos freqüentes ataques de ingleses e holandeses, tradicionais inimigos da Espanha, chegando a Holanda a ter controle das Cidades de Recife e Olinda, em Pernambuco e posteriormente, a maior parte do território entre a Ilha do Maranhão e o Rio São Francisco.
Em 1640 Portugal se separa da Espanha e o Brasil volta a ser uma colônia portuguesa. Desde a segunda metade do século XVI, a cana-de-açúcar foi a principal riqueza do Brasil, empregando mão-de-obra escrava importada da África, baseando-se em grandes latifúndios. O desbravamento do interior pelos bandeirantes paulistas inicia uma nova fase, no século XVII, da busca do ouro. Além deles, os missionários jesuítas começam a desenvolver sua tarefa evangelizadora no Vale do Amazonas. Em 1693, descobrem jazidas de ouro na região da atual Minas Gerais, atraindo milhares de colonos portugueses para o Brasil. A expansão econômica da Colônia se acelerou principalmente devido ao descobrimento de diamantes em 1721. O Brasil aumenta seu território. Com a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasil, este é elevado a Reino Unido e começa a se desenvolver. A Capital é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. O Príncipe D. João decreta uma série de reformas e melhorias para o Brasil, entre as quais se destaca a chamada Abertura dos Portos. Estas medidas beneficiaram a agricultura e a indústria, além de contribuírem para a criação de escolas de ensino superior. Constroem-se estradas, belas moradias, bibliotecas e escolas. A vida cultural fervilha, principalmente no Rio de Janeiro. Forma-se a consciência nacional e iniciam-se vários movimentos nativistas, como o liderado por Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que abriram caminho para a Independência. Em 1821, D. João volta a Portugal deixando seu filho, D. Pedro, Príncipe do Brasil.
Em Portugal, no entanto, o descontentamento pelo Brasil não ser mais Colônia era grande e chamam D. Pedro a voltar e em 1822, ele anuncia sua negativa de abandonar o Brasil e proclama a Independência, em 7 de setembro. Após a separação de Portugal, o Brasil se torna uma monarquia constitucional, mantendo a base de sua economia na agricultura com mão-de-obra escrava. Além de desumana, esta é pouco eficiente e gradualmente foi sendo substituída por braços vindos com a imigração portuguesa, alemã, italiana e espanhola.
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