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Breve Historia - Parte II

Neste período define-se a consciência nacional, com hinos, heróis, fundadores e contestadores. Com o passar do tempo, D. Pedro I perde o apoio popular levando-o à abdicação em favor de seu filho, D. Pedro II, que na época contava com apenas cinco anos de idade, o que motivou o Governo por Regências, marcado por muitas revoltas.

Em 1840, o Parlamento Brasileiro proclama a maioridade de D. Pedro II aos 15 anos. Durante seu reinado a população e a economia se expandiram com taxas sem precedentes. Cresce a produção cafeeira e surgem os "barões do café". Fundam-se Cidades pelos caminhos das tropas que transportavam a produção. Surge então o ciclo da borracha que promoveu o povoamento das margens dos rios amazônicos.

Em 1888 é abolida a Escravidão, sem indenização para os proprietários de escravos que demonstram seu descontentamento retirando seu apoio ao Imperador. Estimula-se a vinda de imigrantes, com o objetivo de substituir a mão-de-obra escrava, principalmente na agricultura e na construção da malha ferroviária. Desenvolve-se o trabalho assalariado. Eles introduzem novos produtos e técnicas de cultivo, a noção de pequena propriedade, a economia de subsistência, as pequenas indústrias domésticas (têxtil, alimentícia, de couro e de cerâmica) e suas tradições, além de contribuir para a miscigenação de raças no País.

O surto de modernização continua com o fim da escravidão (1888), à época quase dispensável, e da Monarquia, no ano seguinte. Em 15 de novembro de 1889, dá-se o Golpe Militar que transforma o Império do Brasil em República do Brasil.

A República que então se instaura em 15 de novembro de 1889, foi proclamada provisoriamente, com a promessa de um plebiscito dentro de um ano, o que só ocorreu, praticamente, cem anos depois. Os primeiros anos da República foram marcados pela turbulência política, conseqüência natural de um País sem tradição democrática. Cresce a importância do café e da borracha para a economia, motivo pelo qual a grande queda do preço do café no mercado mundial, entre 1906 e 1910, causa uma grave crise no país. O preço da borracha brasileira começa a cair no final desse período.

Em 1914, explode a I Guerra Mundial e com ela a participação do Brasil nos mercados mundiais de café, borracha e açúcar aumenta, aliviando a crise econômica do País. No início da Guerra o Brasil adota a neutralidade, mas posteriormente entra nela ao lado dos aliados. As unidades navais brasileiras são enviadas às regiões em conflito e o Brasil participa com a oferta de alimentos e matérias-primas.

Dominada por oligarquias estaduais que se sustentavam através de eleições "fraudadas", esta República dura até 1930. Em novembro de 1937, inicia-se o Governo de Getúlio Vargas, oficialmente chamado Estado Novo. Durante este período as relações trabalhistas passam a ter normas, o salário mínimo é fixado, criam-se vários instrumentos de política educacional e cultural, como por exemplo, o Patrimônio Histórico, e redes hospitalares. Nesse ano, Getúlio Vargas comanda uma revolução que o coloca no poder até 1945, incluindo uma ditadura de inspirações fascistas desde 1937.

Em 1942, o Brasil inicia sua participação na II Guerra Mundial ao lado dos aliados. São construídas Bases Navais e Aéreas em seu litoral e a Marinha Brasileira assume o controle do Oceano Atlântico Sul. Entre 1944 e 1945, a chamada Força Expedicionária Brasileira participa na campanha aliada na Itália. No Pós-Guerra, e sob influência dos EUA, o País se reorganiza com a criação de novos partidos e sindicatos. Surgem a Usina Siderúrgica de Volta Redonda e a Petrobrás.

Após a derrubada de Getúlio Vargas e a promulgação de uma Constituição em 1946, o país vive a fase mais democrática que já experimentara embora abalada por fatos como o suicídio de Vargas em 1954, presidente eleito desde 1951.

Em janeiro de 1956, tomou posse o novo presidente Juscelino Kubitschek, ex-governador de Minas Gerais, que inicia um período de intensa industrialização do país e a construção da nova capital nacional Brasília. De 1956 a 1961, no Governo Juscelino Kubitschek, se dá a modernização do País simbolizada pela fundação de Brasília, atual Capital do Brasil, no Planalto Central.

Em 1961 assume a presidência da república o udenista Jânio Quadros, tendo como vice-presidente o petebista João Goulart (havia eleições para presidente e para vice-presidente em duas chapas distintas). Com a renúncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961 e após um período de instabilidade política e da campanha que ficou conhecida como "campanha da legalidade" patrocinada pelo cunhado de João Goulart, o governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, o primeiro assume a presidência e propõe um conjunto de reformas que ficaram conhecidas como as "reformas de base", que incluíam distribuição de renda, reforma agrária e outras medidas de cunho socialista. Inicia-se um período de instabilidade política e atritos entre os diversos interesses de direita e de esquerda que planejavam a tomada do poder.

Após graves problemas sociais e políticos, instaura-se, em 1964, a Ditadura Militar que dura até 1985. A economia do País continua crescendo e o progresso chega aos seus cantões, mas tornam-se cada vez mais graves a crise energética, o descontrole da inflação e o déficit na balança comercial.

O golpe militar de 31 de Março de 1964 derruba Goulart, esfria as ambições pessoais e partidárias de ambos os lados e instaura um regime de exceção que teve cinco presidentes que, embora civis no momento em que exerciam a magistratura, eram oficiais-generais da reserva (em ordem cronológica): Marechal Castelo Branco, e Generais Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. Sob a influência ou coordenação de técnicos como Eugenio Gudin, Roberto Campos e Delfim Neto, a Revolução levou a cabo reformas econômicas, fiscais e estruturais, curiosamente adotando bandeiras semelhantes às de João Goulart, como a Reforma Agrária (cujo projeto, de Roberto Campos, foi combatido pela UDN) e a nacionalização das empresas de infraestrutura.

Nas eleições de 1976 a oposição teve expressiva votação, o que levou a uma gradual abertura, com a volta de vários exilados políticos, o fim da censura prévia à imprensa, a anistia (dita "ampla, geral e irrestrita") e o movimento, na prática inútil, porém de grande significado, das Diretas-Já que reuniu literalmente milhões de pessoas em comícios no ano de 1984. Inicialmente seu entusiasta em conseqüência do evidente progresso, nos meados da década de 70, a sociedade começou a rejeitar o regime autoritário. Os exageros do sistema de policiamento político, epitomizados pela morte do jornalista Vladimir Herzog levaram o próprio presidente Geisel a adotar posição enérgica contra a "linha dura".

Comícios que foram levados ao ar, ao vivo, pelas emissoras de TV do país. Curiosamente, a maior emissora de TV do Brasil, a Rede Globo de Televisão, foi a única a ignorar completamente o movimento, sem fazer qualquer referência aos comícios em seus noticiários. Somente vindo a fazê-lo após o então presidente do Brasil, General João Figueiredo tratar publicamente do assunto.

Em 1985, depois de uma campanha pelas eleições diretas que reúne multidões nas principais Cidades do País, mas derrotada no Congresso dominado pelos partidários do Governo Militar, é eleito pelo Congresso o primeiro Presidente Civil do Brasil depois de 21 anos. Em 1985, concorrendo com o candidato situacionista Paulo Maluf, o oposicionista Tancredo Neves ganha uma eleição indireta no Colégio Eleitoral.

Tancredo não chega a tomar posse, vindo a falecer vítima de infecção hospitalar contraída na ocasião de uma cirurgia. Seu vice-presidente, José Sarney assume a presidência da república. Sob seu governo promulga-se a Constituição atual de 1988, que institui uma república presidencialista, confirmada em plebiscito em 21 de Abril de 1993.

Em 1989, o ex-governador do Estado de Alagoas Fernando Collor, praticamente desconhecido no resto do país, por força de uma campanha agressiva baseada na promessa de combate à corrupção, da construção de uma imagem de líder jovem e dinâmico (seu partido era o inexpressivo Partido da Juventude) e com apoio dos setores que temiam a vitória do candidato do PT, Luiz Inácio da Silva, é eleito presidente, nas primeiras eleições diretas para o cargo desde 1960.

Entretanto, após dois anos, o próprio irmão do presidente, Pedro Collor de Mello, faz denúncias públicas de corrupção através de um sistema de favorecimento montado pelo tesoureiro da campanha eleitoral, PC Farias. Sem qualquer resistência do Executivo, o Congresso Nacional instaura um CPI cujas conclusões levam ao pedido de afastamento do presidente (impeachment). Durante o processo, a Rede Globo de Televisão produz e transmite uma série dramática ambientada nas manifestações de 1968, a qual serve de inspiração para o movimento dos cara-pintadas, manifestações de estudantes e intelectuais que, do alto de carros-de-som, clamavam por justiça e por um Brasil melhor. Collor de Mello renunciou antes de ter seu impedimento aprovado pelo Congresso mas mesmo assim teve seu direitos políticos suspensos por dez anos, embora a lei em vigor na época previsse a suspensão do processo no caso de renúncia antes de sua conclusão. Collor mudou-se em seguida para Miami. A Justiça o absolveu de todos os processos movidos contra ele por sua gestão. PC Farias evadiu-se do país durante alguns anos e, após enviuvar, retornou a Alagoas mas, em 1996, foi encontrado em seu quarto de dormir, morto por ferimento de arma de fogo.

Em 1990, ocorrem as eleições diretas, consolidando a democracia no País. O drástico programa antiinflacionário adotado contribui para piorar a recessão no Brasil durante o começo da década de 90. Collor de Mello foi sucedido na presidência pelo vice-presidente Itamar Franco em cuja administração é adotado um plano para reestruturar a economia do País e reduzir a dívida externa do Brasil e colocado em prática, o chamado Plano Real, um plano econômico inédito no mundo executado pela equipe do então ministro da fazenda, Fernando Henrique Cardoso.

Percebendo que a hiperinflação brasileira era um fenômeno emocional de separação da unidade monetária de troca da unidade monetária de contas, o plano concentrou todos os índices de reajuste de preços existentes em um único índice, a Unidade Real de Valor, ou URV, a qual posteriormente foi transformada em moeda corrente, o real, acabando assim com o maior problema econômico do Brasil.

Com o sucesso do Plano Real, Cardoso, centro-esquerda, concorre e é eleito presidente em 1994, conseguindo a reeleição em 1998, em aliança com partidos em franca encruzilhada ideológica ou populistas sem precedentes de um lugar estável no espectro político.

Em junho de 1997, o Brasil adere ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Em 1998 ocorrem novas eleições, no entanto, as conseqüências da crise internacional provocada pela inadimplência da Rússia, fazem com que o País busque a ajuda do Fundo Monetário Internacional, mas ao custo de recessão e de desemprego.

Após os oito anos do governo considerado neoliberal pela porção maior da mídia e dos intelectuais brasileiros, em 2002 elege-se presidente da República o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, do tradicionalmente esquerdista Partido dos Trabalhadores (PT). A ortodoxia econômica neo-liberal de Fernando Henrique continua sendo executado por este governo, que se vê envolto em vários escândalos de corrupção, dentre eles o chamado escândalo do mensalão.

O saldo da República no Brasil é o seguinte: 12 estados de sítio, 17 atos institucionais, 6 dissoluções do Congresso, 19 rebeliões militares, 2 renúncias presidenciais, 3 presidentes impedidos de tomar posse, 5 presidentes depostos (1 impeachement), 6 constituições diferentes, 2 longos períodos ditatoriais, 9 governos autoritários, um sem-número de cassações, banimentos, exílios, intervenções nos sindicatos e universidades, censura à imprensa, etc.

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